ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 565 - 24/11/2009
  Código Aberto
Início > Blogs > Código Aberto + A | - A
   
Interatividade com leitores corrige distorção na prática do jornalismo
Postado por Carlos Castilho em 13/8/2007 às 12:17:18 AM
 
 

Ao iniciar, na semana passada, a publicação de comentários de pessoas citadas em notícias, o site Google News aumentou ainda mais a polêmica sobre a participação de leitores na produção de conteúdos informativos jornalísticos.

 

O Google News publica notícias de todo o mundo, recolhidas de 4.500 jornais, revistas, boletins, emissoras de rádio e TV, bem como páginas Web, cujo conteúdo é indexado pelos robôs eletrônicos e editados automaticamente sem intervenção humana, para reprodução em 41 idiomas diferentes, inclusive o português.

 

O projeto sempre foi criticado por ser uma forma de jornalismo robotizado e agora os seus responsáveis pretendem dar-lhe uma cara mais humanizada ao incorporar, na sua versão norte-americana, observações de pessoas citadas em notícias publicadas diariamente.

 

Por enquanto, os comentários têm aparecido mais em seções como tecnologia, ciência e saúde do que nas de política, esportes e economia, devido a razões consideradas técnicas (para ver um exemplo, clique aqui).

 

O problema é como identificar corretamente o responsável pelo comentário para evitar autoria falsa. O Google criou uma série de regras para minimizar os riscos das falsificações, mas isto acabou gerando um enorme aumento de trabalho, porque cada solicitação deve ser checada e só depois disto é que é publicada.

 

Nos casos de política e economia o processo pode tomar horas o que retarda a certificação de autenticidade, inviabilizando a publicação, porque a notícia acaba sendo superada por outras. Nas notícias menos voláteis, o processo pode ser concluído em tempo hábil.

 

O Google News pode estar preocupado com a humanização do seu noticiário, mas a participação dos leitores, por meio de comentários, está se transformando num tema que terá profundas implicações para a prática do jornalismo na Web.

 

O que começa a acontecer é uma lenta transferência de ênfase do autor para os comentários, num grande número de sites noticiosos e weblogs de informação, inclusive aqui no Observatório.

 

Os textos e posts publicados assumem cada vez mais a função de propor temas  para discussão pelos leitores por meio de comentários. Na teoria, esta sempre foi a missão principal do jornalismo, mas ela acabou sendo alterada, na prática, pela indústria da comunicação, através da transformação da notícia num produto de consumo.

 

Antes da internet, a ausência de mecanismos rápidos para interação entre redações e leitores contribuiu para que a autoria da notícia fosse mais importante que a sua discussão.

 

A situação mudou agora na Web com a multiplicação quase frenética de softwares voltados para a participação dos internautas, apesar desta reviravolta ainda não ter sido totalmente digerida e entendida pelas redações.

 

A notícia está deixando de ser um produto para se transformar no ponto de partida de um processo, que começa com os jornalistas, que depois cedem o papel principal para os leitores. Os profissionais deixam de ser os donos da notícia.

 

A compreensão deste processo seguramente vai ajudar a reduzir muito as atuais desconfianças mútuas entre as redações e o público leitor de jornais e revistas, mas também entre os espectadores e ouvintes das emissoras de TV e rádio.
Comentários (2)
Comentar
Compartilhe
[imprimir]  [enviar por e-mail ]  [link permanente]
   
   
Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem intolerância ou crime.
Nome :   Sobrenome :
E-mail:   Profissão:
Cidade:   Estado:
Comentário:


para o limite de 1400.
 
The CAPTCHA image
Clique aqui para ouvir o
texto soletrado(mp3)
Digite no campo abaixo o texto
que você vê na imagem ao lado.

 
Rafael  Barifouse, jornalista (São Paulo/SP)
Enviado em 17/8/2007 às 3:17:03 PM

você viu que a polêmica do Estadão chegou ao BoingBoing via o Global Voices, que repercutiu o seu comentário sobre o assunto? Postei lá no meu site sobre isso no meu blog: www.tecneira.globolog.com.br Dá uma olhada lá. Abraço,
Jorge  Cortás Sader Filho, advogado/jornalista (Niterói/RJ)
Enviado em 13/8/2007 às 12:00:34 PM

Segundo estudos no assunto, os maiores jornais do mundo dão excessivo valor à iteratividade. Quando o leitor participa nas cartas, fóruns e debates, principalmente, a credibilidade no periódico aumenta. Este tem sido o procedimento do New York Times, do Washington Post, Le Figaro e Der Spigel, principalmente. Seus leitores participam do jornal, tanto postando mensagem de aplauso, como de advertência. Dois jornais brasileiros fazem isso usando bastante critério. Um é o Estado de São Paulo, e o outro o Jornal do Brasil. Merecem crédito absoluto, embora o Estadão seja dito um jornal que representa a direita brasileira, o que não é verdade. Noticia o que acontece, e deixou de ser considerado “direitista” há tempos. O mesmo não se pode dizer da Folha do Estado de São Paulo. Parece excessivamente compromissada com os interesses da direita, pelo que publica. Parece, pois muitas vezes é até mesmo considerada uma das vozes da esquerda. Mas sem fugir ao tema, a participação do leitor é fundamental, se um periódico quer ser mesmo digno de respeito e credibilidade.
Compartilhe este texto
Blig Blig BlinkList BlinkList BlogBlogs BlogBlogs BlogLines BlogLines Delicious del.icio.us
Digg Digg Furl Furl Google Bookmarks Google Bookmarks Linkk Linkk Magnolia ma.gnolia
netscape Netscape netvibes Netvibes newsvine Newsvine reddit reddit Stumble Upon Stumble Upon
Technorati Technorati Twitter Twitter Windows Vista Windows Vista Yahoo! MyWeb Yahoo! MyWeb Facebook
Carlos Castilho
* Ex-repórter - revista Fatos & Fotos
* Ex-redator internacional - JB
* Ex-editor internacional - Opinião
* Ex-editor telejornais - TV Globo
* Ex-chefe do escritório da TV GLobo em Londres
* Ex-redator - Cadernos do Terceiro  do Terceiro Mundo;
* Ex-correspondente latino americano  do jornal Público/Lisboa
* Ex-editor internacional do JB;
* Ex-editor associado do The World Paper/ Boston;
* Ex-editor latino-americano da agência IPS - Costa Rica;
* Ex-consultor de advocacy na mídia para a União Européia;
* Professor de Jornalismo Online , Faculdades ASSESC (Florianópolis);
* Professor de Projetos Multimídia (pós-graduação latu senso) no CESUSC / Florianópolis;
* Professor de Jornalismo Online (curso a distância) no Knight Center, Universidade do Texas; 
* Autor do capítulo Webjornalismo no livro No Próximo Bloco - Editora PUC/Rio -2005.
* Autor do prefácio e tradução do livro Jornalismo 2.0, de Mark Briggs, publicado pelo Centro Knight, da Universidade do Texas.
* Mestre em Mídia e Conhecimento pelo EGC/UFSC. 
-Reside em Florianópolis / SC
email ccastilho@gmail.com


Arquivo

Navegue pelos meses usando
também as setinhas azuis.
Você encontra uma descrição do conteúdo dos tópicos, dia a dia.
   2009 
DSTQQSS
12357
910121314
151618192021
23
24
25262728
2930

Últimos posts
Um tesarac no jornalismo contemporâneo
Venda avulsa de jornalões brasileiros cai a índices surpreendentes
A difícil transição do discurso para a conversa, no jornalismo online
A internet cria uma nova unidade básica no jornalismo contemporâneo
Para que tanta informação?

Weblogs de referência
Atrium
PressThink
Contra a Clicagem Burra
Cyber Journalist
Buzzmachine
Holovaty
Intermezzo 
e-Periodistas
Editors Weblog 
Writing for the Web 
eCuaderno
Guardian OnlineBlog
Jornalismo e Comunicação
Transnets - Francis Pisani
Common Sense Journalism
Comunisfera
Contentious
CyberSoc
Behind the News
Ecosphere
Global Voices
Journalism Hope
Journalistic.co.uk
El Cuarto Bit
Social Media
Notes from a Journalism Teacher
MediaCitizen
News Dissector
Online Journalism News
Ponto Media
Rebuilding Media
Steve Outing
E-Media Tidbits
GJol
Periodismo Ciudadano
Pedro Doria
Laudas Críticas

Websites de referência
Carnegie Reporter
Columbia Journalism Review
Online Journalism Review
Media Center
Poynter Online
Online News Association
Creative Commons
Chasqui
Oxford Internet Institute
Panopticon - Facom - UFBA
OnlineJournalism.com

Textos de referência
*Abandoning the News
*History of online journalism
*Reputation Systems
*We the Media
*Como las audiencias están modelando el futuro de las noticias y la información
* Smart Mobs
Implicit Structure and the Dynamics of Blogspace
* Journalism under Fire
* Modelling the First Generation of News Media in the World Wide Web
* Buzz, Blogs and Beyond
* Towards professional participatory storytelling in journalism and advertising
* The Emergence of The Progressive Blogosphere
* We are the Web
* Civic Commons in Cyberspace
* Fixing Journalism
* Blogs, a Global conversation
* The Big Media Meets the Bloggers
* The Blogging Revolution
* The Hyperlocal Citizen Media